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  • Tecnologia que vira sucata

      2014-01-21
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    Computadores, impressoras, antigos aparelhos de TV… A solução para o crescente problema do lixo eletrônico é a responsabilidade compartilhada

    Entre os países emergentes, o Brasil é, há alguns anos, campeão mundial na geração de lixo eletrônico de informática. E o problema não parece perto de acabar.

    Vou até a dispensa e reencontro uma velha companheira, cheia de pó e aposentada há muito tempo. É uma antiga TV de 29 polegadas, daquelas que usam tubos de raios catódicos, que agora parece ainda maior do que na época em que a comprei. Sem funcionar há cinco anos, só lhe resta uma serventia, ao menos para mim: ser um exemplo, dentro de minha própria casa, dos chamados equipamentos eletroeletrônicos em retenção (Eeer). São aqueles fora de uso, esquecidos em garagens, com grande potencial de se tornar lixo eletrônico no futuro. Já era hora de eu desfazer da geringonça que um dia me foi tão útil, mas, consciente, sei que devo fazer a coisa certa, e não gerar mais lixo. O indicado é encontrar alguma opção de reciclagem.

    Primeiro passo: telefonar à empresa responsável pela coleta do lixo em minha cidade, Ribeirão Preto (SP). Primeira resposta (decepcionante): ela não conhece nem oferece pontos de coleta específicos para Eeer. Sem desanimar, procuro o serviço de atendimento ao cliente do fabricante da tevê e pergunto se eles aceitariam de volta o aparelho que um dia produziram. Segunda resposta (frustrante): eles sugerem que eu procure a rede de assistência técnica. Converso então com uma atendente, que me pergunta se o produto está na garantia. Respondo que não. Terceira resposta (quase revoltante): eles não podem ajudar.

    Moral da história: não será tarefa fácil encontrar alguém que compartilhe comigo a responsabilidade de achar um destino adequado a um velho aparelho de TV. Estou sozinho. Pior: o problema não é só meu.

    Ainda em 2013, milhões de Eeers deixarão de ser utilizados, e devem se transformar no tipo de resíduo que mais cresce no país, o eletrônico. Isso acontece porque a maioria da população brasileira ainda não sabe como reutilizar e reciclar esses aparelhos e não se preocupa com o destino dos seus não mais adorados bens de consumo. Os brasileiros – assim como outros povos, sobretudo de países em desenvolvimento – dedicam mais tempo a se atualizar sobre as novidades do mercado e, sempre que possível, trocar seus produtos eletroeletrônicos antigos por novos. Poucas pessoas, porém, se interessam na mesma medida em desenvolver meios sustentáveis que permitam a destinação de seus equipamentos obsoletos. Resultado: todos os dias, toneladas de lixo eletrônico são descartadas de forma indevida em lixões e aterros sanitários.

    Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), só no primeiro semestre de 2013, foram vendidos no país 10,4 milhões de unidades de computadores desktop, notebook e tablet. Como, em geral, quem compra um equipamento se desfaz de outro, o Brasil é, há alguns anos, campeão mundial, entre os países em desenvolvimento, na geração de lixo eletrônico de informática. Segundo dados do Programa Ambiental das Nações Unidas (PNUMA), produzimos, em média, meio quilo por pessoa/ano, seguidos de perto por México e Senegal. Na cidade de São Paulo, segundo estudo de Ângela Cássia Rodrigues, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), estima-se que todos os anos sejam enviados ao lixo por volta de 3 400 toneladas de Eeers.


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