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  • Cidades e Portos frente aos novos padrões de desenvolvimento e determinismo tecnológicos no século XX

      2011-02-11
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    Nas primeiras décadas do século XX o sistema porto-cidade vivencia um desenvolvimento mais autônomo da cidade e do espaço portuário. Lenta e progressivamente a tendência de aninhamento, indissociabilidade e interdependência é substituída por outra, marcada pelo afastamento e o distanciamento. Porto e cidade separam-se do ponto de vista físico, econômico e gerencial (SEASSARO, 1999; HAYUTH, 1982; HOYLE, 1989; HENRY, 2006; WANG; OLIVER, 2003).

    A expansão geográfica e setorial do mercado massifica os processos produtivos e as operações de distribuição. A concorrência pelo uso do solo e as limitações físico-operacionais aos portos tradicionais constituem gargalos para os atores econômicos. A mudança de escala na produção, no transporte e no consumo estimula a relocalização das estruturas produtivas e das infraestruturas portuárias para fora dos centros urbanos. A migração dos portos para lugares onde contam com amplas reservas fundiárias, com calados profundos e um maquinário moderno intensifica-se a partir dos anos 1950 (VIGARIÉ, 1979; HOYLE, 1989; BIRD, 1963). A especialização dos navios e o gigantismo naval impõem-se nos mercados de graneis (transportados sem condicionamento) que alimentam com insumos as unidades petroquímicas, químicas e siderúrgicas de Zonas Industrial-Portuárias (ZIP) instaladas em estuários (Antuérpia, Rotterdam) ou ao longo das fachadas marítimas regionais (Dunkerque, Fos-sur-Mer, Sepetiba/Itaguaí).

    Foto 1 – Zona Industrial-Portuária de Antuérpia

    Foto 1 – Zona Industrial-Portuária de Antuérpia

    Fonte: Fotografia de Frédéric Monié

    O desenvolvimento do mercado mundial das commodities sistematiza a busca por economias de escala e alimenta o gigantismo naval (VIGARIÉ, 1981). O crescimento das trocas internacionais de bens manufaturados estimula, por sua parte, o recurso ao porta-contêiner, cujo uso requer técnicas operacionais e de estocagem específicas. Intermodalidade e mecanização da atividade portuária garantem aos armadores ritmo de rotação rápido dos navios e tarifas competitivas.

    Figura 3. Uma circulação segmentada, interfaces rugosos

    Figura 3. Uma circulação segmentada, interfaces rugosos

    Fonte: Elaborado por Frédéric Monié.

    A massificação dos fluxos impõe novos padrões de acessibilidade náutica e terrestre aos complexos portuários; portanto, calados sempre mais profundos e infraestruturas de transporte terrestre de grande gabarito (VIGARIÉ, 1981). A era do “porto-cidade industrial moderno” (HOYLE, 1989) insere o porto num universo operacional e gerencial altamente funcionalizado que o transforma em simples ponto de transbordo de insumos de base destinados às zonas industriais e de cargas gerais que abastecem sua hinterlândia terrestre (COCCO, SILVA, 1999). A primazia da função de transporte sobre as atividades comerciais e de negócio consolida a dinâmica de distanciamento entre a cidade e o porto (VIGARIÉ, 1981; LAVAUD-LETILLEUL, 2007; MONIÉ, 2011).

    Frédéric Monié e Flavia Nico Vasconcelos


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