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  • As boas lições da Califórnia

      2016-12-05
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    O estado mais rico dos Estados Unidos está em seu quarto ano seguido de seca. Entre as soluções tomadas por lá está tratar o esgoto e multar quem desperdiça, ideias que podem ser imitadas no Brasil

    Juliana Beletsis/Creative Commons

    Hollywood projetou a Califórnia no imaginário coletivo como o estado dos campos de golfe e dos casarões rodeados de gramados impecáveis e com cerca branca. Quatro anos seguidos de estiagem racharam essa imagem. Mais de 80% do território do estado americano está em situação deseca severa, e cientistas já temem que isso perdure até o fim do século.

    Para lidarem com a falta de água, as autoridades californianas estão fazendo de tudo, com graus variados de sucesso. Entre as medidas que não vingaram está a proibição de piscinas, pois se constatou que, quando mantidas cobertas, elas gastam menos água que a manutenção de um gramado com área equivalente. Em anos normais, chovia na Califórnia um terço do que em São Paulo. Apesar do clima diferente, podem-se extrair da experiência californiana algumas lições para o Brasil.

    MULTAR QUEM DESPERDIÇA
    Ao constatar que uma campanha de conscientização para economizar água não surtia efeito, há três meses o governo da Califórnia permitiu que os seus distritos multassemos esbanjadores. Os valores não poderiam ultrapassar 500 dólares. Então, cada localidade decidiu quais seriam as infrações e o rigor a ser aplicado. Em San Diego, quem é pego regando o jardim com mangueira paga a multa máxima, a mesma penalidade reservada para quem encher uma banheira de hidromassagem em Los Angeles. Se houver reincidência, o valor será dobrado.

    Em Santa Barbara, quem usar água corrente em fontes decorativas pagará 350 dólares. Em San Jose, moradores de casas onde são encontrados vazamentos precisam pagar 380 dólares. No Brasil, algumas prefeituras já punem os que usam água para outros fins que não o consumo humano, como beber ou tomar banho. Em Monte Carmelo, Minas Gerais, os fiscais recebem denúncias de moradores cujos vizinhos estão lavando a calçada, por exemplo, e vão até o local. Não há punição imediata, mas o infrator é obrigado a assinar uma notificação. Em caso de reincidência, a multa é de 627 reais.

    CRIAR CURSOS OBRIGATÓRIOS PARA QUEM GASTA DEMAIS
    A cidade costeira de Santa Cruz, a 100 quilômetros de São Francisco, estabeleceu um teto mensal de 28 mil litros de água por família. Quem passa do limite ou é pego burlando alguma norma é multado, mas pode abater parte do valor participando de um curso de duas horas. Aquele que acumula duas multas é obrigado a comparecer. No curso, os professores explicam a situação dos recursos hídricos no estado e ensinam técnicas para reduzir o consumo. “Até agora, não vi nenhum aluno repetente, ou seja, que tenha saído daqui e voltado a desperdiçar”, diz o engenheiro americano Nik Martinelli, coordenador do curso.

    PRIORIZAR O CONSUMO HUMANO

    A Califórnia produz quase a metade dos legumes, verduras e nozes consumidos nos Estados Unidos. Apesar de usarem 80% da água, as colheitas só representam 3% do PIB do estado. Isso levou os moradores a questionar o programa federal que fornece água aos fazendeiros.

     

     

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