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  • Desastres naturais causaram prejuízo de 138 bilhões de dólares, calcula ONU

      2013-03-20
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    Crianças em Mindanao, Filipinas, onde o tufão Bopha afetou mais de 6,2 milhões de pessoas, matando mais de mil e deslocando pelo menos 800 mil. Foto: OCHACrianças em Mindanao, Filipinas, onde o tufão Bopha afetou mais de 6,2 milhões de pessoas, matando mais de mil e deslocando pelo menos 800 mil. Foto: OCHA

    O Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) afirmou nesta quinta-feira (14) que, pela primeira vez na história, ocorreram perdas econômicas anuais de mais de 100 bilhões de dólares por três anos consecutivos. As perdas se deram, segundo a agência, ao um enorme aumento de exposição de bens industriais e de propriedade privada em eventos de desastres extremos.
    Em uma coletiva de imprensa em Genebra, a Diretora do UNISDR, Elizabeth Longworth, disse que uma revisão das perdas econômicas causadas por eventos de grandes desastres desde 1980 mostra que desde meados da década de 90 tem havido um aumento nos prejuízos econômicos, se transformando em uma tendência ascendente confirmada pelas perdas do ano passado.
    Mesmo sem nenhum grande desastre, como um grande terremoto urbano, Longworth lembrou que as perdas econômicas – em estimativas conservadoras – foram de 138 bilhões de dólares.
    Esse índice já atingiu esse patamar em nove ocasiões desde então, incluindo os últimos três anos: 2010 (138 bilhões), 2011 (371 bilhões) e 2012 (138 bilhões). Em 2012, cerca de 310 desastres mataram mais de 9.300 pessoas, afetando outras 106 milhões. Os danos atingiram principalmente Estados Unidos, Itália e China.
    O ano foi particularmente acentuado pelo fato de que não houve desastres de grandes proporções, em termos de impacto humano. O pior caso foi o tufão Bopha, que atingiu as Filipinas em dezembro, com mais de 1.900 mortos e desaparecidos. A Ásia, mais uma vez, mostrou-se a região mais propensa a desastres do mundo, tanto em termos do número de desastres quanto do número de vítimas.
    Por outro lado, 63% das perdas econômicas foram nas Américas, principalmente devido ao furacão Sandy (50 bilhões de dólares) e à seca (20 bilhões). A Europa foi atingida por duas longas ondas de frio no início e no final do ano, matando quase mil pessoas, enquanto a África foi severamente afetada pela seca, mas também por inundações como a da Nigéria, com mais de 300 vidas perdidas.
    “Globalmente, a maioria das vítimas deste ano foram de inundações e secas, responsáveis por quase 80% de todas as vítimas. Mas como ocorreram em países mais pobres, as perdas econômicas são baixas”, destacou a professora Debby Guha-Sapir, Diretora do Centro para Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED) na Universidade de Louvain, na Bélgica.
    “Mesmo assim, as inundações do Paquistão custaram cerca de 2% de seu PIB anual, um valor muito grande para ser recuperado. Os desastres são um grande problema em todos os países pobres e ameaças à segurança global. Eles devem ser levados a sério”, completou Guha-Sapir.


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