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  • Um poço de esperança verde

      2013-08-05
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    Poço de gás na Pensilvânia: os americanos lideram a revolução energética do gás de xisto, que pode ajudar a causa da sustentabilidade.
    No começo dos anos 70, um grupo de notáveis encomendou um estudo sobre o futuro da humanidade para uma equipe de pesquisadores do renomado Massachusetts Institute of Technology. O resultado foi publicado em forma de livro em 1972 com o título Os Limites do Crescimento, cuja ideia central era que em pouco tempo a humanidade iria esgotar vários recursos naturais. O ouro iria acabar em 1981, a prata e o mercúrio em 1985, o petróleo em 1992 e o gás natural um ano depois.
    Aos olhos de hoje, tudo isso parece piada. Nas últimas quatro décadas, o homem abriu novas fronteiras, desenvolveu tecnologias, cavou mais fundo e conseguiu aumentar as reservas desses e de outros recursos naturais. A questão central hoje e no futuro próximo não é a escassez, mas o aquecimento global e a poluição. Nenhum outro recurso exemplifica isso melhor do que o gás natural. Sua produção subiu 20% desde 1981 e, a contar pelos cálculos mais otimistas, esse é só o começo.
    Em cerca de 25 anos, a demanda global de gás deverá aumentar mais de 50%, um crescimento equivalente à elevação do consumo de carvão, petróleo e energia nuclear. Por isso, o gás tem sido repetidamente apontado como parte da solução do problema ambiental do planeta.
    Confirmada a projeção mais otimista da Agência Internacional de Energia (IEA), o gás natural passará da terceira para a segunda posição no ranking das fontes de energia mais importantes do mundo, deixando o carvão para trás, uma ultrapassagem com forte impacto ambiental. Ainda que ambos sejam combustíveis fósseis, o gás natural é bem menos poluente. Ao ser queimado, emite, em média, metade do CO2 e menos de um terço do óxido de nitrogênio, gases que contribuem para o temido efeito estufa. É por causa dessas previsões que cada vez mais se diz que estamos entrando na era do gás natural.
    Embora o uso mais intensivo desse recurso não vá resolver sozinho o problema do aquecimento global, o aumento do consumo é uma perspectiva positiva para uma questão sempre órfã de boas notícias. Em meados de maio, foi anunciado que a presença de CO2 na atmosfera chegou a 400 partes por milhão de moléculas, uma marca que a Terra não atingia há, pelo menos, 3 milhões de anos. Segundo a IEA, as emissões de CO2 dos Estados Unidos, país que lidera a revolução energética do gás, deverão cair 14% até 2035, no melhor cenário – sempre com a premissa de que o gás se consolide nos próximos anos.
    O desafio, agora, é fazer com que outros países sigam o exemplo americano. “O que vimos nos últimos anos nos Estados Unidos foi o crescimento tanto da produção de gás como de fontes renováveis de energia, ambas em detrimento do uso do carvão”, diz Tim Gould, analista sênior da IEA. “Mas não está claro como outros países responderão ao desafio do aumento da demanda por energia.”
    Um dos principais responsáveis pelas previsões de mudanças na matriz energética nas próximas décadas é o gás de xisto. Diferentemente do gás convencional, de fácil extração, o de xisto está preso à rocha. Sua retirada depende de um processo chamado fraturamento hidráulico, no qual grande quantidade de água misturada com areia e outras substâncias, algumas delas tóxicas, é injetada sob alta pressão em poços abertos nas camadas profundas da formação rochosa, provocando rachaduras, através das quais petróleo e gás escapam para o poço.
    Verena Fornetti

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